Todo mundo sabe que a Amazônia é
um terreno vasto para grandes descobertas de conhecimento científico e um
grande potencial de desenvolvimento econômico sustentável para o Brasil. Mas, o
que fazer quando há tanto para ser explorado e tão pouco capital humano para
garimpar tais conhecimentos?
Segundo dados do coordenador de pesquisas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Paulo Mauricio, atualmente na região Norte do Brasil, existem cerca de 15 pesquisadores com alto nível de produtividade científica, 7 são do Amazonas e atuam no Inpa e 6 são do Estado do Pará. Uma quantidade muito pequena em relação ao Sudeste do país que possui cerca de 978 pesquisadores.
Segundo dados do coordenador de pesquisas do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Paulo Mauricio, atualmente na região Norte do Brasil, existem cerca de 15 pesquisadores com alto nível de produtividade científica, 7 são do Amazonas e atuam no Inpa e 6 são do Estado do Pará. Uma quantidade muito pequena em relação ao Sudeste do país que possui cerca de 978 pesquisadores.
Segundo Mauricio, esses
pesquisadores recebem uma bolsa do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento
Científico e Tecnológico) como forma de incentivo para manter a produção. E
afirma que apesar da evolução e dos esforços que tem sido feito nos últimos
anos para a formação de doutores na região, a carência e a falta de estrutura
das instituições de ensino em formar novos pesquisadores estar muito abaixo do
potencial da região em gerar novos conhecimentos.
“Essa quantidade é referente aos
cientistas que possuem um desempenho de produtividade muito grande na região.
Tem pesquisadores que podem ser produtivos, mas não se inscreveram no CNPq. Mas
a quantidade em relação a região Sudeste é preocupante, porque a região
amazônica oferece inúmeros oportunidade de desenvolver novos conhecimentos.
Existe uma quantidade de informação muito grande para ser explorada para a
quantidade de pesquisadores que existe. Precisamos de pessoas qualificadas e
líderes que consigam desenvolver o trabalho e que possuam capacidade acadêmica
e científica grande. Existe um esforço e tem dados mostrando que houve uma
grande evolução nos últimos tempos para a formação de novos pesquisadores. Um
dos agravantes que impedem são as instituições formadoras. Falta estrutura a
elas, incentivo e investimento. Em Manaus temos a Universidade do Estado do
Amazonas (UEA) a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Inpa que
desempenham uma função muito importante e trabalham para isso, mas em outras
regiões há uma carência muito grande”, salientou Paulo Mauricio.
Dificuldades para pesquisa de
alto nível
Outro ponto destacado pelo
coordenador são os frequentes desafios encontrados pelos profissionais na
região amazônica. Muitos deles buscam qualidades de vida e se deparam com a
escassez de recursos, competitividade e individualismo da categoria. A maioria
depende do próprio esforço e o destaque do seu trabalho para captar
investimentos em seus projetos, fatores estes que muitas das vezes desestimula
a seguir na área de pesquisa.
“O campo é árduo para o
profissional e existe a competitividade que ele precisa enfrentar. Publicar em
revistas científicas de pontas, ter seu trabalho avaliado e muitas das vezes
reprovados é muito duro para eles. Essas revistas são as ferramentas
importantes de o trabalho deles ter visibilidade, e muito desses trabalhos são
rejeitados por questões de qualidade porque não basta você ter um título de
doutor para ser cientista. Você precisa ter uma dedicação muito grande em
termos de estudar e se aprimorar em entender aquele assunto. O pesquisador é
muito individualista, ele costuma trabalhar na sua própria linha de pesquisa.
Mas existem situações que ele não consegue resolver sozinho e é forçado a se unir
com outro para captar recursos e tentar influenciar a política. Mas nem sempre
eles conseguem obter sucesso, é preciso uma união da categoria e uma relação
boa coma a bancada de políticos da região Norte para conseguir mais recursos
para pesquisa. Outra questão é que muitos deles preferem ir para a região Sul e
Sudeste em busca de qualidade de vida a ficar em uma região isolada na
Amazônia, e isso cria um déficit aqui”, disse ele.
Recentemente o Inpa realizou um
projeto de intercâmbio com outros Estados com o intuito de formar novos
doutores com grande potencial de grande produtividade científica, e 8
pesquisadores do Estado do Acre participaram do projeto.
Noelia Falcão, coordenadora de
extensão tecnológica e inovação do Inpa, destacou grandes pesquisadores locais
que possuem grande capacidade e um nível alto para pesquisa e destacou a
importância de se investir no capital humano para que o profissional estude
aqui na região e aplique seus conhecimentos para o desenvolvimento da região. “É
necessário criar um atrativo para eles investirem o conhecimento aqui. Eu
conheço muitos pesquisadores do Inpa e de universidades que têm um grande nível
de conhecimento para ser explorado”, disse.
Reformulação no quadro de
pesquisadores
Segundo Mauricio, a falta de concursos
públicos para pesquisador e a reposição do quadro do Inpa tem trazido uma
redução muito grande de profissionais na área. Conforme dados do instituto, em
1994 haviam 248 pesquisadores, em 2016 os números caíram para 188,
representando uma redução de 24% em 22 anos.
“Não vemos um cenário animador, o
número estar declinando. Tem as aposentadorias dos melhores pesquisadores que
temos em termos de liderança. Na unidade de pesquisa e tecnologia do Inpa não
existe uma política de redução que ocorre nas universidades. Toda vez que
perdemos alguém não existe concurso público para repor essa mão de obra. A
força de trabalho que temos hoje são os bolsistas que auxiliam os
pesquisadores. Se não existe projetos para os bolsistas a produção do Inpa
reduz. Apesar da redução do quadro estamos conseguindo manter a produtividade
com os pesquisadores e os bolsistas”, disse.
Repasse de recursos financeiros
As dificuldades em conseguir recursos para a pesquisa junto a Fapeam (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas) e o CNPq ( Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a inexistência de um plano de carreira para o pesquisador e política científica são outros fatores citados pelo coordenador que contribuem para déficit do profissional na região.
“Muitas vezes esses pesquisadores
quando conseguem se capacitar e ter um maior destaque na área eles conseguem
captar os próprios recursos. Mas quando eles não se destacam eles ficam
dependendo do recurso do governo. É uma questão política científica de onde
haverá investimento. Na região Sudeste tem uma massa maior de pesquisadores e
investimentos muito anteriores aos nossos de recursos, equipamentos e formação.
Lá eles têm uma Universidade de São Paulo (USP), instituições fortes e
tradicionais com capacidade maior de captar recursos que estão disponíveis nas
agências de fomentos. É necessário haver alguém para equilibrar esses recursos.
Separar um pouco para a região Norte qualificar profissionais”, disse.
Para Paulo, a falta de
investimento e os recursos escassos das agências de fomentos têm sido barreiras
para pesquisadores da área de ciência e tecnologia explorarem alternativas na
produção de conhecimento para gerar sustentabilidade na região e destacou a
pesquisa na área da biotecnologia como forma de criar alternativas econômicas
para a Zona Franca de Manaus.
“Tanto as universidades como o
Inpa ficam aquém na área de biotecnologia. Por ela ser uma área nova existem
poucos pesquisadores qualificados atuando e consequentemente poucas pessoas
sendo formadas nessa área. As agências são apenas repassadoras de recursos,
porque se o dinheiro não chega a eles não existe pesquisa. Estamos passando por
um período econômico difícil e isso dificulta. Essa exploração só ocorre por
meio da ciência e tecnologia e não há outro caminho. Tem que ter investimento
nessas tecnologias. Uma das alternativas que se colocava para a
sustentabilidade da Zona Franca de Manaus estar na vertente das tecnologias e
produtos fármacos que era uma das alternativas para indústrias ligadas ao setor
biotecnológico”, explicou.
Ele ressaltou ainda que a falta
de investimento na área de pesquisa tem prejudicado em fortalecer áreas
estratégicas da Amazônia como a nanotecnologia e biotecnologia que são áreas
que estão despontando.
Desafios
O coordenador afirma que existe a
dificuldade em repassar o conhecimento produzido no Inpa para gerar
sustentabilidade e há também a ausência de profissionais da área de economia
ligados à biologia e pesquisa para verificar a possibilidade de gerar um recurso
maior em longa escala com esses produtos.
“O Inpa é gerador de formação, gera patentes e analisa vários produtos de potenciais que são desenvolvidos. Mas, precisamos de uma ligação com pessoas da área de economia que possa direcionar o uso desse conhecimento. Porque, às vezes, você tem uma planta com potencial muito grande de nutrientes, tipo camu camu que tem uma vitamina C maior que a acerola. Como introduzir esse produto no mercado se a acerola já é conhecida e consagrada?. Tem que ter um marketing para isso, alguém que entenda de mercado e isso já não é mais a função do Inpa, tem que ter alguém que venda esses conhecimentos produzidos”, explicou. (Jornal do Comercio)

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