Em discurso na Assembleia Legislativa do Estado (Aleam), durante
audiência pública na segunda feira (5), que debateu a situação real da BR-319,
o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte
(Dnit), Fábio Galvão afirmou que o “trecho do meio, de aproximadamente 400
quilômetros é o único no país que necessita de licenciamento ambiental para
receber serviços de manutenção”. A fala de Galvão reforçou a tese do deputado
Francisco Souza (Podemos), organizador da audiência, que não vê impedimentos
para a continuidade da recuperação da estrada federal. “Concordo que falta
vontade política para a retomada das obras. Temos que desmascarar o que está
oculto e que precisa ser revelado”, declarou o parlamentar. Porém, nem todas as
dúvidas quanto ao andamento das obras da estrada foram esclarecidas, pois o
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), que assegura a licença para a
continuidade das obras, não compareceu ao evento e sequer justificou a
ausência.
Para se ter uma ideia da
importância da BR-319, como corredor viário e seus desdobramentos para a
economia do Estado, a rodovia exerce influência sobre 10 municípios
amazonenses: Careiro da Várzea, Altazes, Manaquiri, Careiro Castanho, Borba,
Beruri, Manicoré, Tapauá, Humaitá, Canutama até chegar em Porto Velho/RO. “O
sul do Amazonas precisa se desenvolver a altura do Estado”, pondera Fábio
Galvão, do Dnit.
Falando em economia, o
coordenador de Transporte e Logística da Federação das Indústrias do Amazonas (Fieam),
o empresário Augusto Rocha, apresentou, durante o evento, os altos custos para
transportar cargas do Pólo Industrial de Manaus (PIM) para outros Estados. Por
exemplo, o frete de Manaus a Santos/SP é 67% mais caro do que de Xangai, na
Ásia, para o mesmo porto paulista. “Com a infraestrutura da 319 haverá uma
redução do tempo de viagem entre Amazonas e São Paulo, de 10 a 12 dias, para
sete dias”, argumentou o coordenador ao informar que a indústria do Estado,
nessa crise, encolheu 10 anos. “Saímos de U$S 41 bilhões de faturamento para
U$S 26 bilhões (dado de 2006) e a tendência não é positiva”.
Ainda sobre as perdas da
indústria com o descaso da BR-319, a Fieam defende que 2,5% do PIB do Amazonas
sejam investidos, ano após ano, para corrigir as deficiências de
infraestrutura. “Essa rodovia já deveria ter sido recuperada, está atrasada.
Essa lentidão na solução é um símbolo de atraso quando se deveria voltar a
atenção para a produção e geração de riquezas, pois no fundo quando se discute
o orçamento todo ele vem dos impostos, vem da produção. Então vocês (Dnit e
Ibama) estão atrapalhando a geração de impostos, de riquezas e, isso é
percebido como se os recursos viessem de outro planeta. Não. O recurso vem da
produção e essa produção só acontece se existir infraestrutura”, pontuou o
representante da Fieam.
O imbróglio do Ibama
Dados
do Dnit demonstram o drama que o órgão tem enfrentado para dar continuidade às
obras de pavimentação, recuperação e restauração da BR-319. De 2005 até 2013,
quando o Ministério dos Transportes decidiu retomar os serviços, o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) tem exigido cada vez mais uma série de
estudos de viabilidade ambiental para conceder a licença que possibilite o
prosseguimento dos trabalhos. Da contratação dos serviços das universidades
Federal do Amazonas (Ufam) e do Rio de Janeiro (UFRJ), até empresas
especializadas, o órgão licenciador reprovou todos os relatórios apresentados
pelo Dnit. Já em 2014, após a apresentação do último relatório que tinha o
objetivo de sanar todas as dúvidas do Ibama, o instituto exigiu um estudo do componente
indígena ao longo da rodovia. Especulava-se que deveria existir mais de 30
comunidades no entorno da estrada, mas nas discussões entre o Dnit, Funai,
Ministério Público e Casa Civil da Presidência da República chegou-se a
conclusão de que as comunidades indígenas se resumem em cinco localidades entre
os rios Madeira e Purus, dentro da abrangência da BR-319. “O estudo está em
andamento junto a coleta da fauna no período de chuvas, a partir de janeiro de
2018. Com esses elementos haverá a conclusão do relatório até o final do ano
que vem, onde novamente será apresentado ao Ibama”, informa o superintendente
do departamento de transporte, Fábio Galvão.

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